Por: Ricardo Ruas – jornalista e viajante que já rodou 38 países (e contando) pelo mundo.
De Agra, depois da visita ao Taj Mahal, nos deslocamos para Jaipur. A “cidade rosa” integra o Triângulo Dourado, região do Noroeste da Índia. Juntas, Delhi, Agra e Jaipur formam as extremidades de um triângulo perfeito, que no passado vivia da exploração do ouro (entendeu o porquê do nome?).
O percurso de carro leva cerca de três horas. Mas aproveitamos para uma parada estratégica em Fatehpur Sikri, uma obra de mais de 500 anos construída em estilo indo-islâmico. Como ocorre por toda a Índia, há dezenas de guias (ou pseudos) que querem faturar com a visita dos turistas. Desconfie, pergunte, consulte outros valores e só então escolha o seu.
O nosso faria o percurso apenas por gorjetas, mas parou no artesanato da família para vender seus produtos. Como ele foi muito atencioso, sabia dos fatos históricos da construção e ainda era um exímio fotógrafo, acabamos por fazer o pagamento por ter nos guiado e compramos alguns souvenires.
Fatehpur Sikri
De volta à estrada, a chegada a Jaipur foi com direito à visita ao Templo dos Macacos (Galta Ji), um dos mais conhecidos da maior cidade e capital do Rajastão. O lugar é um complexo, mas acabou se sobressaindo com este nome por conta da enorme quantidade de símios que habitam o lugar. Chegamos ao final do dia, junto com o pôr do sol. Os animais estavam bem alimentados, ainda assim a recomendação é esconder óculos, chapéus, telefones e outros objetos que possam ser levados, por pensarem ser comida.
Templo dos Macacos
De lá, fomos deixados no hotel pelo nosso motorista. Já era noite quando fomos aos arredores procurar um restaurante para jantar. Encontramos um café aberto logo na esquina. Entramos, fomos olhados por todos os que estavam presentes. O garçom chegou esbaforido e nos levou para uma mesa no canto, sem vista do restante do espaço. Antes de abrir o cardápio da mesa, perguntamos se vendiam cerveja. Ele saiu mais angustiado do que quando nos levou para sentar escondidos e voltou com a resposta: vocês precisam sentar lá nos fundos.
Seguimos o rapaz por um corredor até os fundos do prédio, onde um grupo de estrangeiros estava reunido, bebendo, comendo e pronto para ver um filme, um presente do dono do café para os visitantes de fora da Índia. Aproveitamos para comer e beber junto, além de acompanhar a produção Bollywoodiana. Pra quem acreditava ter quase perdido um rim para a máfia indiana, até que a noite terminou feliz e cheia de boas histórias.
O que fazer em Agra
- Dá para chegar de trem, partindo de Delhi. O percurso leva de duas a três horas.
- Um aviso: Agra é suja e poluída, o típico retrato da Índia que conhecemos no Brasil.
- É possível visitar o Agra Fort, que fica a 2,5 quilômetros do Taj Mahal. É uma cidade-palácio fortificada, para preservar a família real no período das guerras.
- Já o Akbar’s Mausoleum é túmulo do imperador mongol Akbar e representa uma importante obra da arquitetura deste povo. Foi construído entre 1604-1613.
- O Baby Taj é o túmulo de I’timād-ud-Daulah, foi construído numa réplica perfeita (porém em tamanho menor) do Taj Mahal.
- O Mehtab Bagh é um complexo no lado oposto do rio Yamuna, nas planícies de inundação. É um imenso jardim onde é possível ter uma vista da parte de trás do Taj Mahal.
Fique ligado
- Os indianos são amáveis e se vêem pessoas com biótipo diferente do que estão acostumados pedem logo para tirar fotos. Não se acanhe, sinta o que devem sentir os famosos, e conceda este desejo aos moradores daquele país.
- A gente tem vontade de ficar olhando para o alto para observar os monumentos e o movimento das pessoas na Índia. Mas se souber que tem vaca por perto, opte por mirar o chão. É para garantir que não pisará no cocô dos animais.
- As bebidas alcoólicas não são permitidas em algumas regiões da Índia. Em Rishkesh elas são expressamente proibidas. Já em Delhi são autorizadas, mas você encontra somente em alguns locais. O que não impede de perceber alguns motoristas alcoolizados. Aliás, esta é outra dica, se sentiu que a pessoa está bêbada, melhor não fazer a corrida.
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Fonte: grupoodp.com.br